15 de novembro de 2008

Sensações

Ando emotiva, tenho falado em lágrimas. Insisto, perceba, que não são lágrimas ruins. Mas ando emotiva, emotiva, emotiva. Descubro, através de intensas reflexões solitárias, que não ando, corro ou pulo, eu sou. Movida por coisas sem nome, cor ou definição, apesar de gostar de coloridices, de batizar palavras, de viver inventando expressões ou coisa parecida. Mais do que uma fase, a palavra emotiva traz consigo um significado que ultrapassa definições exatas de dicionários, afinal, quer palavra menos exata do que essa?

São três as coisas que mais gosto na vida: cinema, livro e abraço. Eu gosto até de filme ruim, desde que seja filme, não sei se você me entende. Livro ruim eu desisto no meio, mas logo pego outro, não perco a esperança de encontrar bons livros. E eles existem, aos montes. Todo mundo tem um livro preferido e o famoso filme-da-vida. Qual é o da sua? O da minha é cheio de abraços (e que sejam sinceros, por favor!). Estou um pouco cansada da falta de verdade, daquele sorriso-obrigatório-social-aterrorizante-e-burocrático, vamos, você precisa ir e sorrir e fingir que tudo está bem e muito bem e tudo bem, pois você adora aquele lugar, seja ele qual for, seja você quem for eu repito: não faça isso, não entre nesse barco todo remendado que é o social-obrigatório-tenho-que-ir-e-dar-abracinhos-moles, não está nada bem, não. Não!, você tem que abraçar com gosto, aperto, vontade, tem que sentir o corpo do outro, cada mudança de temperatura, cada alteração, alternação, cada pêlo, marca, sinal, mancha, cicatriz, hematoma, corte, arranhão. Sentir o cheiro de perfume, desodorante, cheiro de passado, de sono, de cansaço, de fé, de lembranças, cheiro de cerveja, de amaciante Fofo, cheiro de molho de tomate, de cigarro, de shampoo, de gel no cabelo, cheiro de vida que está renovada, estragada ou revoltada, mas viva. Viva, no sentido amplo e infinito da palavra.

Você pode estar num momento difícil, de transição, de perder-se em si mesmo, de fazer projeções e transferências de maneira inadequada, você pode estar em alfa, zen, em um dia nervoso, patético, calmo, em um dia comum, em um dia cheio de novidades, você pode estar passando por um momento mais difícil do que o da primeira linha, uma fase de achar-se em si mesmo, largar-se na vida, momento egoísta, intimista, altruísta, nazista, todos os istas estão lá, esperando você decidir que momento é este, qual momento será o próximo? Independente de tudo, tempo, situação, ganho, perda ou até mesmo alucinação, não consigo perder a capacidade de ser emotiva. Não, não pense que é sempre bom, não sou a-toda-boa, a toda alegre o tempo todo, a toda amorosa constantemente. Eu sou estranha, tenho gestos e pensamentos e encanações e neuras e filosofias viajantes e temperamento salgado e toda uma série de e's que não consigo ajustar aqui, agora, pra você, talvez por não saber ajustá-los nem pra mim. Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação. Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações. Uma delas é tentar explicar o sentido de uma coisa que nem sentido faz. Vou tentar de novo. Ando emotiva, é isso que tento dizer pra você.


Decretado pela India às 22:48

A Borboleta


Ela é menina-criança
Ela é mulher-menina
Ela é criança-mulher
Assim meio criança madura
Assim meio mulher infantil
Como borboletas a voar
Batendo as asas e no tilintar
Uma canção e um violão
Enfeitando histórias rabiscadas com giz
Se perde entre conceitos e crenças
E coleciona traços em pensamentos
Ela é pedra e rocha
Nome e Sobrenome
Criança madura que lapida
Todos os dias seu mundo
Com o que há de bom e de ruim
Pois mesmo no que há de ruim
FORÇA, LUZ e ENERGIA
Sendo sempre imagem resiliente e redundante
Refletida no espelho de si por dentro e por fora
É IndianirA[legria]
É sorrir, viver, colorir
Dias e vidas porque não é tão difícil
Quando se tem asas e sonhos pra dar.

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